segunda-feira, 21 de novembro de 2011

COMISSÃO APROVA REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO DE HISTORIADOR


A Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público aprovou proposta que regulamenta o exercício da profissão de historiador. De acordo com a proposta, historiador é o profissional responsável pela realização de análises, de pesquisas e de estudos relacionados à compreensão do processo histórico e pelo ensino da História nos diversos níveis da educação.

O texto aprovado é o Projeto de Lei 7321/06, do deputado Jovair Arantes (PTB-GO), que tramita apensado ao PL 3759/04, do ex-deputado Wilson Santos. A relatora, deputada Alice Portugal (PCdoB-BA), recomendou a aprovação do projeto apensado, com emenda, e a rejeição do projeto principal. Segundo ela, os projetos regulam a matéria em termos análogos, mas o PL 7321/06 não obriga o Poder Executivo a criar conselho de fiscalização do exercício profissional, como faz o PL 3579/04 – o que é inconstitucional. “Tais conselhos são considerados autarquias especiais e só podem ser criados por meio de lei de iniciativa do Presidente da República”, explica.

O PL 7321/06 prevê, porém, a inscrição do historiador em conselho de fiscalização do exercício profissional. A emenda da relatora retira essa previsão.

Profissionais habilitados

Segundo o projeto, poderão exercer a profissão de historiador no País:

- quem tiver diploma de nível superior em História, expedido no Brasil, por instituições de educação oficiais ou reconhecidas pelo governo federal;

- os portadores de diplomas de nível superior em História, expedidos por escolas estrangeiras, reconhecidas pelas leis de seu país e que revalidarem seus diplomas de acordo com a legislação em vigor;

- os diplomados em cursos de mestrado ou de doutorado em História, devidamente reconhecidos;

- os que, na data da entrada em vigor desta lei, tenham exercido, comprovadamente, durante o período mínimo de cinco anos, a função de historiador.

Para exercerem as funções relativas ao magistério em História, os profissionais deverão comprovar formação pedagógica exigida em lei.

Atividades

A proposta também define as atividades e funções dos historiadores, entre elas:

- planejar, organizar, implantar e dirigir serviços de pesquisa histórica, de documentação e informação histórica;

- planejar o exercício da atividade do magistério, na educação básica e superior, em suas dimensões de ensino e pesquisa;

- elaborar critérios de avaliação e seleção de documentos para fins de preservação;

- elaborar pareceres, relatórios, planos, projetos, laudos e trabalhos sobre assuntos históricos;

- assessorar instituições responsáveis pela preservação do patrimônio histórico, artístico e cultural (museus, arquivos, bibliotecas).

Tramitação
A matéria segue para a análise, em caráter conclusivo, da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Íntegra da proposta: 
PL-3759/2004
PL-7321/2006

Reportagem – Lara Haje

Edição – Regina Céli Assumpção

terça-feira, 1 de novembro de 2011

A história da África em sala


Duas leis federais determinam o ensino de história e cultura afro-brasileira e indígena. Veja como trabalhar esses conteúdos em aula

Daniele Pechi

Até bem pouco tempo atrás, o Brasil, conhecido internacionalmente por sua diversidade cultural e pela mistura de raças que formam o seu povo, não tinha as diferentes etnias representadas nos currículos escolares do País. A situação mudou com duas leis, sancionadas nos anos de 2003 e 2008, que tornaram obrigatório no Ensino Fundamental e Médio o estudo da História e Cultura afro-brasileira e indígena.
O que dizem as leis

A lei mais antiga 10.639/2003 não previa o ensino da cultura Indígena nas escolas brasileiras. O texto estabelece que o conteúdo programático inclua diversos aspectos da história e da cultura dos povos que formaram a população brasileira. "As políticas e programas que começaram a ser praticados desde então são fundamentais para valorizar a diversidade dentro das escolas e para incentivar mudanças nas práticas pedagógicas", afirma Viviane Fernandes Faria, Diretora de Políticas para Educação do Campo e Diversidade do Ministério da Educação (MEC).

Aspectos como o estudo da história da África e dos africanos, a luta dos negros e dos povos indígenas no Brasil, a cultura negra e indígena brasileira e o negro e o índio na formação da sociedade nacional foram incorporados aos currículos depois da aprovação da Lei 11.645. "Por meio do resgate da contribuição de negros e índios nas áreas social, econômica e política da história do Brasil, os professores podem desenvolver ações voltadas para a construção de uma escola multirracial", diz Sobrinho.
A proposta do MEC é incluir no currículo temáticas que façam os alunos refletir sobre a democracia racial e a formação cultural brasileira. "Só assim será possível romper com teorias racistas e diminuir o preconceito", afirma Juliano Custódio Sobrinho, professor de História da Universidade Nove de Julho, em São Paulo. "Os educadores têm um papel fundamental nesse processo, o de mostrar aos alunos que todas as raças presentes no Brasil têm e tiveram importâncias iguais na formação da cultura brasileira", diz.

Como trabalhar

Para ajudar os professores a selecionar alguns aspectos que podem ser trabalhados nas diferentes etapas de ensino no decorrer de todo o ano, o MEC elaborou alguns materiais de apoio que estão disponíveis para consulta no site oficial do Ministério, assim como as Orientações e Ações para a Educação das Relações Étnico-Raciais.
Abaixo, veja algumas sugestões de como e quando abordar alguns dos conteúdos relacionados à cultura afro-brasileira em diferentes etapas de ensino:

Educação Infantil

O essencial: Apresentar a diversidade
Durante o período em que frequentam a creche ou a pré-escola, as crianças estão construindo suas identidades. Por isso, desde os primeiros anos de escolaridade, os alunos já precisam entender que são diferentes uns dos outros e que essa diversidade decorre de uma ideia de complementaridade. "É função do educador ajudar as crianças a lidar com elas mesmas e fortalecer a formação de suas próprias identidades", explica Clélia Cortez, Coordenadora do Programa Formar em Rede do Instituto Avisa Lá e selecionadora do Prêmio Victor Civita. "Ele deve atuar como um verdadeiro agente de promoção da diversidade", diz.

Para que isso aconteça, a creche precisa ser transformada em um ambiente de aprendizagem da diversidade étnico-racial, que estimule os pequenos a buscar suas próprias histórias e a conhecer as origens dos colegas. "Estimular a participação das crianças em atividades que envolvam brincadeiras, jogos e canções que remetam às tradições culturais de suas comunidades e de outros grupos são boas estratégias", diz Clélia. Segundo a educadora, a organização os espaços também deve valorizar a diversidade. Ações simples como pendurar imagens de personagens negros nas paredes, adquirir alguns livros com personagens de origens africanas, ter bonecos negros na brinquedoteca e passar filmes infantis com personagens negros para as crianças podem ajudar na formação de cidadãos mais conscientes e agentes no combate ao preconceito.

Do 1º ao 5º ano
O essencial: valorizar as culturas indígena e africana
No Ensino Fundamental 1, os professores já podem levar para a sala de aula algumas noções do que vem a ser a cultura afro-brasileira, com base na realidade dos alunos. É o momento de falar sobre a colonização portuguesa no país e traçar um paralelo com a realidade social dos negros hoje. "Se o aluno entender o processo histórico que desencadeou a desigualdade entre negros e brancos, ele não vai reforçar preconceitos", diz Sobrinho.

Propor projetos e atividades permanentes que valorizem as culturas indígena e africana - como apresentações teatrais de histórias da literatura africana ou lendas indígenas -; trabalhar os elementos de ritmos como o samba e o maracatu nas aulas de Música; ou explorar alguns elementos da capoeira nas aulas de Educação Física são boas formas de abordar os conteúdos no decorrer do ano. "Apesar da inclusão do ensino da cultura afro-brasileira e indígena ter sido imposta por uma legislação, não é preciso forçar a barra para incluí-los nas aulas", explica Sobrinho. "Esses elementos sempre fizeram parte da cultura brasileira e não podem ser ensinados como se fossem conteúdos à parte, descontextualizado da realidade do nosso país", afirma ele.

Do 6º ao 9º ano

O essencial: discutir o preconceito
O Ensino Fundamental 2 é o período ideal para o professor explicar aos alunos que o Brasil foi um país escravocrata e que a abolição da escravidão não veio acompanhada de um processo de inclusão dos negros na sociedade brasileira. "No Brasil, a escravidão foi abolida em 1888, porém, mantivemos o estigma da cor", afirma Sobrinho. Por isso, promover debates sobre as causas do preconceito contra os negros é fundamental, bem como ensinar os alunos a buscar respostas no processo histórico brasileiro. "Os estudantes precisam conhecer os motivos pelos quais os negros ainda lutam pela igualdade de direitos e oportunidades", diz Sobrinho.

Nas aulas de Ciências, os professores podem trabalhar as teorias raciais do século 19, que queriam acabar com a miscigenação e pregavam a necessidade do branqueamento da população. "A ideia errônea da existência de uma ‘raça pura’ permitiu a legitimação do preconceito com relação à diversidade de raças e a crença em uma suposta superioridade da raça branca", diz Sobrinho.

Ensino Médio

O essencial: debater o preconceito de raça
Nesta etapa os professores de Sociologia podem trabalhar o próprio conceito de "raça", sempre com o objetivo de discutir a valorização das diferentes manifestações culturais com base nas representações do outro. A existência de cotas raciais nas universidades públicas e os motivos pelos quais elas se fazem necessárias no Brasil também podem gerar debates interessantes com a turma. É uma boa oportunidade para esclarecer aos estudantes que as cotas, por exemplo, fazem parte de um longo plano de ações que visa incluir os negros dignamente na sociedade.

Muito mais do que leis que incentivem o combate ao preconceito racial, é fundamental que as mudanças da forma de ensinar a História e a Cultura afro-brasileira e indígena partam do engajamento, do aprendizado e do comprometimento pessoal dos educadores, professores e gestores escolares, que devem estar preocupados em construir uma política educacional igualitária, que prepare crianças e jovens para valorizar a diversidade e construir uma sociedade em que a democracia racial, de fato, se torne uma realidade.
FONTE: REVISTA NOVA ESCOLA ON-LINE

Consciência negra o ano todo

Novembro é o mês da consciência negra, mas relações raciais e o respeito à diversidade devem ser trabalhados o ano todo. 

terça-feira, 25 de outubro de 2011

ESTA CHEGANDO A PROVA BRASIL - Entre os próximos dias 7 e 18 de novembro


Entre os próximos dias 7 e 18 de novembro, os alunos de 5º e 9º anos (ou da 4ª e 8ª séries) de todas as escolas públicas urbanas e rurais do país com mais de 20 estudantes por turma realizarão a Prova Brasil. Pensando em fazer com que a escola tenha um bom desempenho, há gestores que incentivam os professores a aplicar simulados e até mesmo a treinar as turmas para o teste por meio da repetição. Por melhor que seja a intenção, trata-se de um grande equívoco. "Esse exame tem por objetivo avaliar competências de Língua Portuguesa e Matemática que são construídas ao longo do tempo e se solidificam somente com um bom trabalho pedagógico - e não com exercícios mecânicos", alerta Jussara Hoffmann, autora de livros sobre avaliação e diretora da Editora Mediação, em Porto Alegre.
A preparação para o exame deve, portanto, ser de outra natureza: esclarecer todos os integrantes da comunidade escolar a respeito do que é a avaliação, garantir a organização interna para a realização da prova e saber como utilizar os resultados em benefício dos processos de ensino e aprendizagem (leia a reportagem 7 ações para aproveitar bem a Prova Brasil). Como lembra Maria do Pilar Lacerda, secretária de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC), "uma avaliação só faz sentido quando leva à reflexão e à transformação da prática pedagógica. Não basta ser uma mera constatação. Precisa ser uma provocação para a equipe pensar a respeito do que está dando certo e do que ainda pode melhorar a fim de assegurar de fato a aprendizagem de todos os alunos".
Também em novembro, parte das escolas brasileiras é selecionada para participar do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb), que oferece um resultado amostral das mesmas séries avaliadas pela Prova Brasil mais o 3º ano do Ensino Médio (leia sobre as diferenças dos exames no quadro abaixo). As notas dessas avaliações são usadas para compor o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), instrumento que o governo federal tem utilizado para definir políticas públicas destinadas à melhoria da Educação em nosso país.
Nesse sentido, também é preciso cautela para não cair na tentação de pautar o currículo escolar somente pela busca de um Ideb cada vez melhor. "Toda escola precisa ter um sistema próprio de avaliação, de acordo com as metas estabelecidas em seu projeto político-pedagógico (PPP). Exames internos e externos devem, portanto, ser usados de maneira complementar", diz Maria Amabile Mansutti, coordenadora técnica do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec). Dessa forma, a equipe gestora contribui para criar uma cultura institucional que realmente vê a avaliação, qualquer que seja ela, não como uma forma de punir e responsabilizar um ou outro educador, mas como uma ferramenta formativa a serviço do aprimoramento das estratégias de trabalho.
Avaliações nacionais

Em 1990, o Saeb surgiu para levantar dados sobre a Educação nas regiões geográficas e nos estados brasileiros. Já em 2005, a Prova Brasil foi criada para oferecer dados mais específicos sobre os municípios e as escolas. A partir de 2007, os dois exames passaram a ser realizados em conjunto. Conheça os detalhes:
Prova BrasilSaeb
A quem se destinaAlunos de 5º e 9º anos do Ensino FundamentalAlunos de 5º e 9º anos do Ensino Fundamental e do 3º ano do Ensino Médio
Escolas participantesUnidades públicas de áreas urbanas e ruraisUnidades públicas e privadas de áreas urbanas e rurais
AlcanceUniversal - todos os estudantes das séries indicadas fazem a provaAmostral - apenas uma parte dos alunos das séries avaliadas participa do exame
AplicaçãoUma parcela das escolas participantes compõe os resultados do SaebTodos fazem a Prova Brasil e, por meio de um recorte, chega-se aos números do Saeb
FONTE: REVISTA NOVA ESCOLA ON-LINE

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

A ORIGEM DA GEOMETRIA

Nós, professores de história, também podemos contribuir para o ensino-aprendizagem de Matemática.
Vocês devem estar se perguntando como?
Através da origem dos conceitos matemáticos, por exemplo.
A seguir a história da origem da Geometria.
A  ORIGEM DA GEOMETRIA
Os historiadores gregos, sem exceção, procuram colocar no Egito o berço da Geometria, e atribuir, portanto, aos habitantes, do vale do Nilo a invenção dessa ciência. As periódicas inundações do célebre rio forçaram os egípcios ao estudo da Geometria, pois uma vez passado o período da grande cheia, quando as águas retomavam o seu curso normal, era necessário repartir, novamente, as terras, e minar o grau de inteligência dos corvos, chegou a entregar aos senhores as antigas propriedades, perfeitamente delimitadas. A pequena faixa de terra, rica e fértil, era disputada por muitos interessados; faziam-se medições rigorosas a fim de que cada um, sem prejuízo dos outros, fosse reintegrando na posse exata de seus domínios.
OS GRANDES GEÔMETRAS
PITÁGORAS - matemático e filósofo grego. Nasceu seis séculos a.C., na ilha de Samos. Fundou em Crótona, ao sul da Itália, uma escola filosófica que se tornou notável. Os seus discípulos denominavam-se os pitagóricos. Sobre  a vida de Pitágoras há uma trama infindável de lendas.
                        Morreu, em 471 a.C., assassinado em Tarento durante uma revolução política.
FONTE: MATEMÁTICA DIVERTIDA E CURIOSA - MALBA TAHAN


domingo, 23 de outubro de 2011

Cinco perguntas e respostas sobre os conflitos na Líbia e Muamar Kadafi


A morte do ditador pode ser debatida nas aulas de História. Relembre os principais fatos da trajetória de Kadafi e discuta com a turma o futuro do país do norte da África.

Seus alunos sabem quem foi Muamar Kadafi? E por que os acontecimentos recentes na Líbia envolveram países importantes, como França, Inglaterra e Estados Unidos? A morte do ditador, oito meses após o início de uma mobilização popular contra o seu regime, traz à tona a discussão sobre os conflitos da chamada "Primavera Árabe" e sobre o futuro do país africano.
Além de analisar as questões políticas e econômicas envolvendo a Líbia - o país é um dos principais produtores mundiais de petróleo - o tema deve ser abordado em muitos vestibulares.
Aproveite os materiais disponíveis no site de Veja (http://veja.abril.com.br/tema/libia) e debata os acontecimentos recentes com a turma nas aulas de História. Respondemos a cinco perguntas sobre os confrontos na Líbia e a ditadura de Muamar Kadafi que ajudam a contextualizar o assunto:
Foto de Muamar Kadafi é queimada por rebeldes. Foto: Veja
Foto do ditador Muamar Kadafi sendo queimada por rebeldes durante protestos contra o regime na Líbia.
1. Quem foi Muamar Kadafi e como ele chegou ao poder na Líbia?
O coronel Muamar Kadafi (1942-2011) nasceu no deserto da Tripolitânia, região oeste da Líbia, próximo à cidade de Sirte. Era filho de um agricultor nômade e pertencia à pequena tribo Kadafi - para se ter ideia, existem mais de 140 tribos diferentes convivendo em território líbio.Kadafi graduou-se na Universidade da Líbia em 1963 e na Academia Militar da Líbia em 1965. Desde essa época, já conspirava para derrubar a monarquia encabeçada pelo Rei Ídris I, que subiu ao trono em 1951. Dirigente da irmandade político-religiosa Sanusiah (fundada em 1837 na região da Cirenaica, no leste da Líbia), Ídris apoiava-se nas tribos da região leste do país. Com o golpe militar de 1969, que derrubou a monarquia, o coronel Kadafi despontou como o principal dirigente do Conselho do Comando Revolucionário e, mais tarde, da República Líbia. Foram as tribos do oeste, da região da Tripolitânia, que forneceram a base de sustentação para o regime de Kadafi, que com o tempo tornou-se cada vez mais ditatorial.
2. Quais as principais fases da ditadura de Kadafi? 
Em 42 anos de poder, Kadafi impulsionou diferentes políticas, marcadas por grandes reviravoltas. Assim que assumiu o governo da Líbia, em 1969, instituiu a fase do "nacionalismo árabe". Inspirado pelo exemplo do líder egípcio Gamal Abdel Nasser (1918-1970), que nacionalizou o Canal de Suez, Kadafi nacionalizou, em 1973, todos os ativos das companhias petrolíferas estrangeiras no país (a Líbia é um dos principais produtores mundiais de petróleo, membro da OPEP - Organização dos Países Produtores de Petróleo), bem como os ativos das companhias de seguros e dos bancos. O ditador também buscou, desde 1970, a integração política da Líbia com outros países árabes como o Egito, o Sudão, a Síria e a Tunísia. Fracassou. A última tentativa de união, com o reino do Marrocos, realizada em 1984, durou apenas duas semanas.
A segunda fase do regime, que começou por volta de 1974, foi marcada pelo projeto de Kadafi de despontar como um anunciador de novos caminhos para os povos árabes. Nesse ano foi lançado o Livro Verde, uma espécie de compêndio que serviu como "Constituição" para a Líbia, onde o ditador afirmava sua rejeição ao capitalismo e ao socialismo ortodoxos e propunha uma espécie de "socialismo islâmico" para a Líbia. Paralelamente, Kadafi passou a flertar com grupos terroristas internacionais, como os Panteras Negras (grupo norte-americano radical que lutava contra a opressão aos negros), a Nação do Islã nos Estados Unidos e o Exército Republicano Irlandês (IRA), na Irlanda do Norte.
A terceira fase do regime de Kadafi, na década de 1980, foi denominada pelo presidente americano Ronald Reagan como a fase do "cachorro louco do Oriente Médio". O apoio aberto de Muamar Kadafi a grupos terroristas teve como resposta um ataque de aviões dos EUA à Líbia em 1986, que feriu e matou familiares do ditador. Anos depois, em 1988, agentes líbios participaram de um atentado ao voo 103 da Pan Am, que partiu de Londres com 259 passageiros a bordo e caiu sobre a Escócia. Em represália pelo saldo de 270 mortos no atentado, a ONU impôs sanções à Líbia.
No final dos anos 1990, Kadafi encaminhou os participantes do atentado às autoridades internacionais para julgamento e assim deu início à quarta fase de seu regime, a "guinada internacional". Em 2003, a Líbia admitiu sua responsabilidade na operação e indenizou as famílias das vítimas. Também anunciou a suspensão de seu programa de armamentos. Com isso, foram suspensas as sanções econômicas e militares da ONU e dos EUA ao país. Líderes ocidentais passaram a visitar a Líbia, enquanto seu presidente perseguia militantes do grupo terrorista Al-Qaeda, então comandado por Osama Bin Laden. Por seu apoio ás iniciativas norte-americanas, em 2009, Muamar Kadafi chegou a ser eleito presidente do conselho da União Africana.
Reintegrado à comunidade internacional, Kadafi foi surpreendido pela rebelião das tribos da Cirenaica contra seu regime, em fevereiro de 2011. Na quinta e última fase de sua ditadura, as tentativas de suprimir a revolta não tiveram êxito, e os insurretos passaram a ser apoiados por aviões da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Em agosto de 2011, o regime de Kadafi não existia mais, mas ele permanecia foragido até sua captura e morte, na cidade de Sirte, dia 20 de outubro.
3. Quais as principais marcas do regime de Kadafi?
Muamar Kadafi implantou na Líbia uma ‘ditadura personalista’, baseada em práticas populistas e no apoio das tribos da Tripolitânia, região da atual capital, Trípoli. Contudo, eu personalismo resultou, com o passar dos anos, em conflitos com as tribos dessa área e de outras regiões do país. Os benefícios de cunho populista concedidos a alguns setores da sociedade líbia eram pagos pelas exportações de petróleo e pelos investimentos estrangeiros no país, sobretudo italianos.

4. Como começaram as revoltas e por que países como França e Inglaterra apoiaram sanções à Líbia?
A rebelião foi estimulada pelos acontecimentos da chamada Primavera Árabe, onda de revoltas populares iniciadas na Tunísia e no Egito, países vizinhos à Líbia. A queda dos presidentes de ambos os países mostrou que a mobilização popular contra governantes despóticos podia ter êxito. A rebelião na Líbia teve início em 15 de fevereiro de 2011, na região leste do país, com manifestações antigovernamentais que logo se estenderam para todo o território.
Quanto aos fatores que levaram países como França e Inglaterra a apoiarem sanções à Líbia, cabe lembrar uma afirmação feita na reportagem "Vai-se um tirano...", publicada em Veja (Ed. 2232, 31 de agosto de 2011): "a França e a Inglaterra, em especial, aparentemente viram na troca de regime [de Kadafi por outro, instaurado pelos rebeldes da Cirenaica] uma oportunidade de desbancar a Itália como a maior investidora na Líbia". A Itália mantinha forte presença no país africano desde 1912, quando o território tornou-se colônia italiana após a Guerra Ítalo-Turca; e manteve sua influência mesmo depois de o território cair em poder dos britânicos em 1942-1943, no decorrer na Segunda Guerra Mundial.

5. Qual o destino da Líbia após a queda de Kadafi? Ela poderá se tornar um "novo Iraque"?
Em primeiro lugar, o novo Estado líbio, hoje comandado pelo Conselho Nacional de Transição (CNT), terá fortes laços políticos e econômicos com o Ocidente. Na Europa, os investimentos líbios são da ordem de 340 bilhões de dólares. A Líbia investe grandes quantias em empresas como a francesa Electricité, a Siemens da Alemanha, a Shell e a British Petroleum da Inglaterra e o Unicred, segundo maior banco da Itália.
Em segundo lugar, a Líbia não tem, e dificilmente terá em um futuro próximo, unidade nacional. Resta saber se será equilibrada a divisão do poder entre as tribos da Cirenaica - hegemônicas de 1951 a 1969, e novamente agora - e as da Tripolitânia, próximas à capital do país. Se as tribos da Cirenaica, que comandaram o início das revoltas, dominarem amplamente o cenário político-social, a instabilidade poderá permanecer. Ainda assim, a ausência de grandes conflitos religiosos - em sua enorme maioria, os líbios são muçulmanos sunitas - torna menos previsível a transformação da Líbia em um "novo Iraque".
FONTE : NOVA ESCOLA ON-LINE

sábado, 15 de outubro de 2011

PARABÉNS A TODOS NÓS PELO NOSSO DIA!!!

O professor segundo Jô Soares



É jovem, não tem experiência.

É velho, está superado.
Não tem automóvel, é um pobre coitado.
Tem automóvel, chora de "barriga cheia".
Fala em voz alta, vive gritando.
Fala em tom normal, ninguém escuta.
Não falta ao colégio, é um "Adesivo".
Precisa faltar, é um "turista".
Conversa com os outros professores, está "malhando" nos alunos.
Não conversa, é um desligado.
Dá muita matéria, não tem dó do aluno.
Dá pouca matéria, não prepara os alunos.
Brinca com a turma, é metido a engraçado.
Não brinca com a turma, é um chato.
Chama a atenção, é um grosso.
Não chama a atenção, não se sabe impor.
A prova é longa, não dá tempo.
A prova é curta, tira as hipóteses do aluno.
Escreve muito, não explica.
Explica muito, o caderno não tem nada.
Fala correctamente, ninguém entende.
Fala a "língua" do aluno, não tem vocabulário.
Exige, é rude.
Elogia, é debochado.
O aluno é retido, é perseguição.
O aluno é aprovado, deitou "água-benta".
É! O professor está sempre errado, mas, se conseguiu ler até aqui, agradeça a ele.